Paulo aranha
"Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce." (...) O Infante In "Mensagem", Fernando Pessoa. / (...) "Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança." Pedra Filosofal In "Movimento Perpétuo" António Gedeão 1956
Domingo, 22 de Janeiro de 2012
Vai e sê feliz!!!
na curva da estrada falas-me de ti,
do rumo que tarda
é hora de escolher,
p'ra ti é tudo ou nada
És filha do mundo,
com vontade de mudar
rompes o silêncio, à prova de bala
dás-me a tua voz, que nunca se cala
já não te queixas de mim,
mas nada nasce no fim
Onde está a revolução,
já não te posso valer
descontas no tempo,
um estado de graça
beco com saída, fogo que não passa
amanhã longe daqui,
serei eu que te perdi
Mas tu...
Vai e sê feliz
não olhes para trás (deixa lá)
vai e sê feliz
E só mais uma vez, só de uma vez
vai e sê feliz por mim, sê feliz por ti
Vai e sê feliz
Vai e sê feliz
(Quinta do Bill ... in "Sete" 2011)
Sábado, 8 de Outubro de 2011
Poema da malta das naus
Lancei ao mar um madeiro,espetei-lhe um pau e um lençol.Com palpite marinheiromedi a altura do Sol. Deu-me o vento de feição,levou-me ao cabo do mundo.pelote de vagabundo,rebotalho de gibão. Dormi no dorso das vagas,pasmei na orla das praiasarreneguei, roguei pragas,mordi peloiros e zagaias. Chamusquei o pêlo hirsuto,tive o corpo em chagas vivas,estalaram-me a gengivas,apodreci de escorbuto. Com a mão esquerda benzi-me,com a direita esganei.Mil vezes no chão, bati-me,outras mil me levantei. Meu riso de dentes podresecoou nas sete partidas.Fundei cidades e vidas,rompi as arcas e os odres. Tremi no escuro da selva,alambique de suores.Estendi na areia e na relvamulheres de todas as cores. Moldei as chaves do mundoa que outros chamaram seu,mas quem mergulhou no fundodo sonho, esse, fui eu. O meu sabor é diferente.Provo-me e saibo-me a sal.Não se nasce impunementenas praias de Portugal."António Gedeão in Teatro do Mundo
Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011
Sete Mares (Sétima Legião - in Mara D'Outubro
De viver
Há mil anos de memória a contar
Ai, cidade á beira-mar
Azul
Se os mares são só sete
Há mais terra do que mar ...
Voltarei amor com a força da maré
Ai, cidade à beira-mar
Ao sul
Hoje
Num vento do norte
Fogo de outra sorte
Sigo para o sul
Sete mares
Foram tantas as tormentas
Que tivemos de enfrentar...
Chegarei amor na volta da maré
Ai, troquei-te por um mar
Azul
Hoje
Num vento do norte
Fogo de outra sorte
Sigo para o sul
Azul
Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011
Açores....
- Deram frutos a fé e a firmeza
- no esplendor de um cântico novo:
- os Açores são a nossa certeza
- de traçar a glória de um povo.
- Para a frente! Em comunhão,
- pela nossa autonomia.
- Liberdade, justiça e razão
- estão acesas no alto clarão
- da bandeira que nos guia.
- Para a frente! Lutar, batalhar
- pelo passado imortal.
- No futuro a luz semear,
- de um povo triunfal.
- De um destino com brio alcançado
- colheremos mais frutos e flores;
- porque é esse o sentido sagrado
- das estrelas que coroam os Açores.
- Para a frente, Açorianos!
- Pela paz à terra unida.
- Largos voos, com ardor, firmamos,
- para que mais floresçam os ramos
- da vitória merecida.
- Para a frente! Lutar, batalhar
- pelo passado imortal.
- No futuro a luz semear,
- de um povo triunfal.
- (Natalia Correia)
Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
Foram Cardos foram prosas (Ritual Tejo)
Mas sem amar o calor
À flor de um fogo preso
À luz do meu claro amor
Há madresilvas aos pés
E aguas lavam o rosto
A morte é uma maré
Olho o teu amado corpo
Será sempre a subir
Ao cimo de ti
Só para te sentir
Será no alto de mim
Que um corpo só
Exalta o seu fim
Não foram poemas nem rosas
Que colheste no meu colo
Foram cardos foram prosas
Arrancados ao meu solo
Oi que ainda me queres
No amor que ainda fazemos
Dá-me um sinal se puderes
Sejamos amantes supremos
Será sempre a subir
Ao cimo de ti
Só para te sentir
Será no alto de mim
Que um corpo só
Exalta o seu fim
10 Junho de 2011 - Dia de Portugal e das Comunidades.
É com tristeza que este ano não se realizou a recepção do dia de Portugal e das Comunidades, por motivo lógico e compreensível. Porém, um grande número de Portuguese reuniu-se no palco 6 (Culturie) no festival anual "Carnaval" no Fælledparken, onde atuou (actuou == antes do acordo ortográfico; atuou === depois do acordo) um artista Português. Muitas caras conhecidas, muitas delas só encontro do dia 10 de Junho, contudo foi um excelente fim de tarde .... com muito samba.
http://www.copenhagencarnival.dk/english/
Segunda-feira, 21 de Março de 2011
Canção da Madruga (José Carlos Ary dos Santos)
De linho te vesti
de nardos te enfeitei
amor que nunca vi
mas sei.
Sei dos teus olhos acesos na noite
sinais de bem despertar
sei dos teus braços abertos a todos
que morrem devagar
sei meu amor inventado que um dia
teu corpo pode acender
uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer.
Irei beber em ti
o vinho que pisei
o fel do que sofri
e dei
dei do meu corpo um chicote de força
rasei meus olhos com água
dei do meu sangue uma espada de raiva
e uma lança de mágoa
dei do meu sonho uma corda de insónias
cravei meus braços com setas
descobri rosas alarguei cidades
e construí poetas
e nunca te encontrei
na estrada do que fiz
amor que não logrei
mas quis.
Sei meu amor inventado que um dia
teu corpo há-de acender
uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer
então:
nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos,
nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas,
nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas,
nem forcas, nem cardos, nem dardos, nem guerras
nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas,
nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas
nem forcas, nem cardos, nem dardos, nem guerras
nem paz